Pastoral

A Reforma e o Pré-Milenismo - Parte 1

04 Capa NovembroMartinho Lutero (e os outros reformadores protestantes do século XVI) causou uma transformação imensurável à igreja ao exigir reforma. Eles declararam que a teologia da igreja na Europa Ocidental era um desvio do ensinamento bíblico apostólico. O chamado de mobilização dos reformadores foi sola Scriptura, que significava que somente a Bíblia era a autoridade sobre eles, em contraste com o papa, os concílios eclesiásticos ou a tradição. Ao chamarem a igreja para viver tendo somente a Bíblia como autoridade sobre ela, os reformadores não tentaram transformar sua escatologia.

A negligência em aplicar os princípios de sola Scriptura a toda a Escritura resultou em muitos cristãos negando uma interpretação plena e literal da Bíblia. Por exemplo, as porções históricas da Bíblia são consideradas alegóricas, e as seções proféticas das Escrituras sofrem um destino ainda pior.

A Reforma (1500-1650) foi uma revolução teológica e a interpretação bíblica também testemunhou uma transformação por causa da revolução teológica. Ramm escreveu: “Embora os historiadores admitam que o Ocidente estivesse maduro para a Reforma devido às várias forças em atuação na cultura europeia, houve uma Reforma hermenêutica que precedeu a Reforma eclesiástica”. Zuck explicou as forças em atuação como “a abordagem literal da Escola de Antioquia e dos vitorinos”. O legado do escolasticismo também foi um fator que contribuiu para a Reforma, uma vez que as línguas bíblicas foram reavivadas durante aquele período. Homens como Lutero e Calvino retornaram ao texto bíblico e à atratividade natural da interpretação mais cientifica e literal das Escrituras.

A importância que Lutero dava à interpretação literal também significou uma ênfase sobre as línguas originais. Rejeitando alegorias, Lutero enfatizava o sensus literalis. Ele afirmou: “Não conseguiremos preservar por muito tempo o evangelho sem as línguas. As línguas são a bainha na qual esta espada do Espírito está contida”. Não obstante, uma pessoa deve ser mais do que um filólogo, um historiador, ou mesmo um teólogo; o Espírito Santo deve iluminar a mente do intérprete. “Lutero exigia uma leitura ‘simples’ ou ‘literal’ das Escrituras, que não se baseava nem em distinções filosóficas nem em distinções complicadas, argumentações teológicas formalizadas de objeções e respostas”.

Os escritos de Lutero estavam repletos de escatologia, mas ele não foi um revolucionário (diferentemente de alguns dos anabatistas do século XVI). Ele interpretava os acontecimentos do seu tempo como profecias sendo cumpridas. Assim, eventos da época, tais como as chamadas aparições de 1529, a onda de calor subsequente ao eclipse solar de 1540, a disseminação da sífilis e a mudança do nível da água de uma das hidrovias comerciais da Europa central foram interpretados como sinais do retorno de Cristo. O papado era considerado o Anticristo e os turcos foram tidos como os servos do Anticristo. A identificação que Lutero fez do Anticristo significava que “os últimos dias estão às portas” e o fim da história está próximo. Lutero via seu tempo presente como o da grande tribulação, que teria seu clímax, sem demora, através do retorno de Jesus Cristo. Às vezes ele espiritualizava o milênio, enquanto que em outras ocasiões Lutero afirmava que o milênio já havia passado. Lutero não estabeleceu datas para o final dos tempos, e na maior parte do tempo ele cria estar em algum lugar entre o milênio e o final da era. João Calvino também acreditava que o papado fosse equivalente ao Anticristo.

Como a escatologia não era uma questão de importância maior durante a Reforma, os reformadores não tiveram a oportunidade de aplicar sua hermenêutica consistentemente; todavia, quando a aplicaram, esse fato levou ao reavivamento do pré-milenismo.

Lutero não desenvolveu suas visões escatológicas sistematicamente porque a sua ênfase estava nas questões soteriológicas; desta forma, ele pôde manter a perspectiva amilenar (agostiniana) do catolicismo romano. Os reformadores abandonaram o método alegórico de interpretação (característico do catolicismo) em todas as áreas, exceto na escatologia. O amilenismo é o ponto de vista profético da Igreja Católica, e foi também o ponto de vista profético dos grandes reformadores. O motivo pelo qual os reformadores retiveram o amilenismo do catolicismo foi a época em que viveram. Eles abraçaram, sim, uma interpretação gramático-histórica das Escrituras relativamente à soteriologia e à eclesiologia. Como a escatologia não era uma questão de maior importância, os reformadores não tiveram a oportunidade de aplicar sua hermenêutica consistentemente.

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