Pastoral

Dor... E Nada Mais

15 Capa JulhoTodo mundo já passou por alguma experiência dolorosa na vida: enfermidade, traição, rejeição, perda, e por aí vai. Cada pessoa expressa sua dor de uma forma, e ninguém pode julgar a dor alheia, afinal, como bem diz o conhecido provérbio, “a maior dor é aquela que estamos sentindo”. Diante da dor, percebemos nossa humanidade com mais nitidez, e a fé parece se tornar uma alternativa não apenas viável, mas insuperável. É nos momentos de maior dor que temos, em geral, as experiências mais intensas com Deus através da oração ou até da inquietude diante da falta de explicações razoáveis para nosso sofrimento. A dor é capaz de abrir as portas da alma – utilizando a expressão de Mark W. Baker. Por elas, saem os gemidos mais íntimos e o descontentamento mais grosseiro. 

Em um momento de grande dor, Jesus Cristo pronunciou palavras vindas de seu íntimo: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27.46). Frase estranha. Os teólogos têm escrito uma série de coisas sobre ela. Creio que nunca poderemos entendê-la teologicamente, pois trata-se de um grito vindo de dentro, expressão que comprova a humanidade do Filho de Deus. Jesus sentiu-se abandonado. Como pode? O Filho de Deus sentir-se abandonado pelo Pai? Assim são os efeitos da dor: inexplicáveis. Por isso, cada um expressará sua dor de forma única, e muitos terão reações mais fortes do que a maioria, enquanto outros sofrerão sua dor praticamente calados e no anonimato. 

Um de meus escritores favoritos C. S. Lewis – escreveu o conhecido livro O Problema do Sofrimento. Alguns anos depois de escrever o livro, ele passaria por um sofrimento tão grande que o levaria a um período de grande perturbação emocional e espiritual. Lewis se apaixonou por uma poetisa, Joy Gresham, com quem desenvolveu um relacionamento genuinamente amoroso. Casaram-se e, passado pouco tempo, Joy faleceu tragicamente, vítima de um câncer muito agressivo. As portas da alma de Lewis se abriram, e ele despejou toda sua angústia em forma de um novo livro: A Anatomia de uma dor: um luto observado. Sua dor foi tão intensa que, em alguns momentos, o livro parece ter sido escrito por um incrédulo. Ele chega a dizer que levar sua dor até Deus pareceu em vão, pois só encontrou silêncio. C. S. Lewis perdera a fé? Não, ele apenas estava sofrendo. E sofrendo muito. 

Deus não repreendeu Jesus na cruz. Poderia fazê-lo. À semelhança do que aconteceu por ocasião do batismo, a voz divina poderia ser ouvida, trazendo, dessa vez, uma palavra de condenação a uma frase tão imprópria para ser dita pelo filho de Deus. Mas de que pessoas que sofrem precisam?
O Pai ficou em silêncio. Não há o que explicar ou corrigir. É hora de esperar o desfecho da experiência dolorida. Três dias depois, o mesmo Cristo está vivo, sem qualquer traço de ressentimento ou mágoa. A dor passou e deu lugar a novas experiências.
A porta por onde saiu tanta dor agora está aberta para a entrada da esperança, que chega à alma e inaugura um novo tempo. Agora é a hora da cura, marcada pela superação e por seguir em frente, levando as marcas do que se viveu.

Não podemos explicá-la. Não podemos mensurá-la. Não podemos ignorá-la. E, por vezes, não conseguimos dominá-la. O que fazer diante da dor? Experimentá-la da forma que nos for mais correta, de acordo com nossos valores e fé. E se, por sua intensidade, parecer-nos faltar fé para enfrentá-la, que nos contentemos na esperança de que nosso Deus e Pai nos compreende e cuida de nós, até quando não percebemos ou acreditamos. Que sua dor passe logo. E que um novo dia, de alegria e paz, inaugure um novo tempo em sua vida.

Guilherme Gimenez

 

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