Pastoral

A geração que não sabe mais falar (parte 2)

29 Capa AbrilA verdade é que para viver a vida com sabedoria, bom senso, e para se alcançar felicidade e êxito é preciso aprender a caminhar pela senda bela e emocionante das palavras. Quem sabe usar as palavras é sábio e sempre terá veredas promissoras. É necessário voltar-se para a tônica da literatura sapiencial do hebraico das páginas da Bíblia. Conforme nos ensina o livro de Provérbios, dependemos inteiramente da força da palavra. Ouçamos alguns de seus conselhos:

“A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata” (25.11).

E há também sabedoria singular nas palavras não ditas. É o discurso do silêncio:

“Quando são muitas as palavras, o pecado está presente, mas quem controla a língua é sensato” (10.19).

E quem pode descrever o poder da palavra? Leiamos:

“A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto” (18.21).

E para completar, vejamos o que a palavra pode produzir nas relações humanas:

“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira. A língua dos sábios torna atraente o conhecimento, mas a boca dos tolos derrama insensatez (15.1,2).

Os estudantes, os empresários, os casais, os vendedores, os profissionais liberais precisam desesperadamente da sabedoria das palavras. Como alcançar a tão desejável sabedoria?

A verdade é que para trilharmos esse caminho promissor e pleno na vida é preciso dar o primeiro passo: “ouvir as palavras”. Quem ouve é sábio! A verdadeira sabedoria começa quando “ouvimos a Palavra, isto é, a Palavra divina”. Ela é a nossa esperança diferenciada e singular! Ouça a Bíblia. Sem a sublime capacidade de ouvir acabaremos perdidos em nosso mundo interior disforme e existencialmente confuso. O segundo passo a ser dado é aprender a falar. O falar saudável, refletido, ponderado e controlado é poderoso. O falar cura, liberta, reanima, adverte e traz vida. Há uma certa “mágica” na esquecida arte de conversar. A maioria dos problemas entre casais e entre pais e filhos seria resolvido se eles apenas conversassem. É o “exercício físico” das relações. Sem conversar, a “circulação” das boas relações fica comprometida. Quem sabe usar corretamente as palavras sempre terá uma trajetória abençoada. Finalmente, deve ser dito que “falar também é dominar”. Em Gênesis, como mencionamos, quando Deus criou Adão, ele deu nome a todos os animais. Que trabalho árduo! O homem é o homem porque pode falar. Somos o “homo discursus”. É bem verdade que este domínio que vem do falar é poderoso e perigoso, mas pode ser salutar. Não precisa ser o domínio da destruição, mas pode ser o da construção. Se quisermos ouvir, se reaprendermos a falar, e, soubermos dominar, ao bem-estar pessoal, relacional e familiar iremos chegar. Mas, há um mistério aqui.

Como bem disse Fernando Pessoa: “Trocar palavras é fácil, difícil é interpretar os silêncios”. Antes de dominar o mundo para fazer dele um lugar melhor, é preciso ser dominado pelo Senhor da Palavra, conduzir nosso interior com palavras adequadas e quebrar o silêncio do próximo com a palavra sábia e ponderada. Só se muda o mundo, mudando o coração; somente as palavras conhecem o caminho até o coração.

Luiz Sayão

 

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