Pastoral

A geração que não sabe mais falar (parte 1)

22 Capa AbrilPara viver a vida com sabedoria, bom senso, e para se alcançar felicidade e êxito é preciso aprender a caminhar pela senda bela e emocionante das palavras

Há alguns anos, numa visita a Hong Kong, fiquei surpreso: ao lado de nossa mesa no restaurante estava um casal de namorados. O rapaz e a moça permaneceram todo o tempo sem trocar uma única palavra. Os dois mexiam e teclavam no celular de modo intenso e desenfreado. Nem se entreolhavam! Talvez estivessem “namorando” de modo digital. Pensei estar diante de um relacionamento sem palavras. A realidade de Hong Kong, porém, não é apenas local. É universal.

Para quem vive nesse mundo cibernético, pós-moderno e freneticamente movido a imagens e vídeos de ação, a própria menção do verbo “falar” parece ultrapassada e “desconectada”! O fato é que a geração icônica e pictórica está tão saturada de imagens e vídeos que já nem sabe mais falar. Muitas vezes, ao ser interpelado por um cidadão “pós-icônico”, ouço apenas o gaguejar de monossílabos desconexos e frases que desafiam a mais profunda hermenêutica! O que está acontecendo? Parece que estamos vendo uma geração que desaprendeu a falar! Criou uma nova forma de interação! O problema não é só o analfabetismo ou o analfabetismo funcional! É também a incapacidade de se comunicar de modo verbal. É a atrofia da linguagem! Se isso, por si só, já é um problema descomunal, para um cristão convicto é um dilema monumental!

A grande verdade é que o mundo que nos rodeia é feito de palavras. Como demonstraram destacados filósofos e linguistas, não temos acesso à realidade sem a mediação das palavras. É falando que apreendemos o mundo e o delimitamos. Como dizia o estudioso dinamarquês L. Hjelmslev, a realidade é um “continuum amorfo” recortado pela linguagem, que interpreta o mundo. Nada podemos conhecer sem a linguagem!

A prioridade da linguagem e da palavra encontra espaço nos textos sagrados das Escrituras. A Bíblia abre suas páginas de sabedoria afirmando que Deus criou o universo, falando. Por diversas vezes o texto do primeiro capítulo de Gênesis traz a frase: “e disse Deus”. A primazia do homem se delineia quando Adão dá o nome a todos os animais (Gn 2.19-20), tão decantado por Bob Dylan e Zé Ramalho! Mais adiante, no livro de Êxodo, quando Deus quer se dar a conhecer ao seu povo, quando o próprio Deus se revela, ele o faz através de seu NOME, isto é, de uma palavra. Não temos acesso à imagem divina. Ela não nos é sequer permitida. Nós conhecemos a Deus pelo seu NOME, YHWH!

Prosseguindo pelo tema da revelação de Deus ao homem, vamos descobrir que a vontade de Deus revelada ao ser humano também chega a nós por meio de um livro. Deus não enviou um quadro nem uma escultura ao homem, tampouco deu-nos uma sinfonia para que pudéssemos conhecê-lo em profundidade. Sua revelação específica para a humanidade é a sua Palavra! As Escrituras! Poderíamos parar por aqui, pois já temos mais do que o suficiente para valorizar a palavra e o discurso. Mas há ainda muito mais! Pois não é só a revelação escrita de Deus que é palavra! O próprio Jesus Cristo, o Deus-homem, encarnado para trazer-nos a salvação eterna é o Verbo de Deus (Jo 1.1). Conforme nos ensina o consagrado texto de João 1.14: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”.

Luiz Sayão

 

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