Pastoral

Esgotamento Espiritual

16 Capa JulhoEsgotamento espiritual é uma expressão ainda pouco conhecida nos meios evangélicos. É provável, todavia, que você alguma vez já tenha ouvido algum tipo de referência ao tema. Apesar de seu recente aparecimento em nossa terminologia, as situações que a expressão nomeia remontam aos tempos bíblicos e estão presentes no dia-a-dia da vida cristã em escala cada vez mais crescente.

Com razão você deve estar se perguntando: O que vem a ser esgotamento espiritual? Que sintomas identificam a doença? Existem meios de tratá-la? É possível, inclusive, que em algum período de sua vida você a tenha experimentado, sem, no entanto, identificá-la desta forma. A rigor, não se trata simplesmente de desânimo ou coisa parecida que eventualmente afetem o nosso estado de espírito. Ë muito mais do que isso.

O esgotamento espiritual se assemelha ao estresse no seu estágio mais profundo e ambos têm vínculos estreitos porque situações de desgaste vividas ao nível da psique levam também ao esgotamento físico. O diagnóstico da doença é perceptível quando o crente chega a um ponto de saturação, onde a fé torna-se incrédula, as convicções cristãs esmorecem, o senso do valor da existência se desvanece, já não há mais interesse nos sólidos referenciais de outrora e a luz de Cristo que norteia a vida parece ter-se extinguido sem deixar qualquer esperança de renovação. É um quadro de total abandono ao predomínio da letargia.

Elias é o exemplo clássico de como o esgotamento espiritual não se restringe apenas aos chamados “fracos na fé”. Até os "mais fortes" estão sujeitos a enfrentá-lo. Após uma série de feitos notáveis em nome do Senhor dos Exércitos, a vida espiritual do profeta entrou em tão grande declínio que ele não hesitou em bater-se em retirada diante das ameaças da mulher de Acabe para isolar-se na solidão de sua fé na caverna da incredulidade, 1 Rs 19.1-18.

Davi, o homem segundo o coração de Deus, foi outro que andou às voltas com crises agudas de esgotamento espiritual. Boa parte dos salmos revela que o grande rei de Israel se curvou até os joelhos ante o peso de suas angústias existenciais. Em situações assim, a dúvida aflorava, seu espírito consumia-se e as perspectivas de Davi se estreitavam a ponto de lhe deixarem como única opção a morte. Este é o sentido dos abundantes recursos da linguagem poética empregados pelo salmista para descrever o seu estado de alma. Expressões como "ossos desconjuntados", "olhos consumidos pela mágoa", "coração que arde como lenha", "pardal solitário no telhado", "humor em sequidão de estio" e outras nada mais são do que sinais evidentes de esgotamento espiritual.

Diversas causas contribuem para manifestar-se este quadro. A primeira, não necessariamente nesta ordem, é o ativismo, que, em si mesmo, na conduz a nenhuma espiritualidade. É a primazia da ação sem saber-se exatamente o que e com que propósito. Trabalha-se tanto por nada e, ao fim, a alma acaba extenuada. Não estou querendo negar, jamais, a importância do envolvimento na obra de Deus, mas transformar as atividades eclesiásticas em alvo e não meio é escancarar as portas para o esgotamento espiritual.

Outra fonte para esta grave doença é a falta de cuidado em repor as energias espirituais despendidas nos afazeres cristãos. Há muitos que correm de um lado para o outro cumprindo o nobre e legítimo desejo de ser instrumentos nas mãos do Senhor para abençoar o povo. Cantam, pregam, ensinam, aconselham e vivem tão esbaforidos que não encontram mais espaço em sua agenda para outros compromissos... Nem para Deus e a família. Os que chegam a este ponto encontram-se a um passo do esgotamento espiritual, se já não chegaram lá.

Não convém esquecer, ainda, o legalismo como outra causa extremamente oportuna para que a enfermidade se instale. É quando o crente, sob a enorme pressão de achar-se espiritualmente marginalizado, obriga-se a lutar no âmbito de sua humanidade para cumprir determinados códigos de regras rígidas e unilaterais, com aparência de religiosidade, que nem o mais santo dos apóstolos suportaria. O mal se agrava com a tentativa de se quantificar a espiritualidade. Sob este raciocínio, mesmo que você tenha orado por três horas seguidas (isso não é regra, por favor!), se o seu companheiro ultrapassou-o em pelo menos mais cinco minutos, é provável que muitos o considerem mais espiritual do que você, ainda que tenha sido puro farisaísmo. Numa situação dessas não há como escapar: a busca pela excelência na vida cristã passa a ser uma competição de rivais mediante o esforço humano que debilita e leva ao esgotamento espiritual.

O melhor remédio contra qualquer doença é tomar medidas preventivas. Anote aí, portanto, algumas atitudes que ajudam a evitar o esgotamento espiritual ou a sair dele quando se encontra já instalado.

1. Não meça sua espiritualidade pela dos outros. Orar cinco minutos pode ter o mesmo valor de uma oração prolongada ou vice-versa. O que determina sua importância é o nível de intimidade com Deus. É a qualidade e o propósito do que se faz.

2. Não se apegue ao legalismo, nem o transforme em sua tábua de salvação. O ato de você depender exclusivamente da graça de Deus não significa liberdade para pecar, mas a certeza de que se houver cometido pecado ele está sempre pronto a perdoar, coisa que lei nenhuma é capaz de fazê-lo.

3. Não saia para os embates contra o inimigo, nem se disponha ao trabalho incessante sem a garantia de que está suprido de forças espirituais suficientes. Lembre-se que as virgens prudentes tinham também azeite de reserva para qualquer eventualidade. As outras perderam a oportunidade por não disporem de azeite suficiente para um tempo prolongado.

4. Se ainda assim, por algum razão, vier a ser acometido pelo esgotamento espiritual, faça como Davi, que não aceitou conservar sua alma na sepultura da desolação, mas buscou descanso nos braços do Altíssimo, Sl 30.1-3.

“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade”, Sl 46.1 (NVI).

Pr. Geremias Couto

 

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