Pastoral

Pastores Ontem e Hoje

11 Capa JunhoHá quarenta e oito anos, no início do meu ministério, era bem diferente. A sociedade passou por transformações profundas. Para pior, é claro. A relação Pastor-ovelha-pastor era bem diferente. O rebanho era mais dócil. Havia disposição em ouvir as mensagens, orientações e aconselhamentos. 

O Pastor era bem vindo aos lares. Integrava as famílias do rebanho. Alegrias, tristezas e preocupações eram compartilhadas com o Pastor. Isso oferecia melhores condições ao Pastor na dosagem da alimentação espiritual do rebanho. O título Pastor era respeitado. Ninguém chamava o Pastor de “seu Julio”. Mas sim Pastor Julio.

O tempo e a degradação da sociedade atingiu o Pastor como ser humano, líder, mensageiro da palavra e servo de Deus. Aliás, Pastor bom hoje é aquele que conta piadas no púlpito, defende algum time de futebol ou partido político. Aquele que faz o povo rir. Enfim um animador de auditório. A mensagem quanto mais “palha”, como diziam os seminaristas antigamente, melhor. O povo não tem interesse em alimento sólido, Bíblia e comprometimento com a verdade. A Bíblia perdeu o foco e o ministério sua razão de ser.

As ovelhas, hoje, chegam à Igreja para os cultos empanturrados de heresias transmitidas por pregadores televisivos. A mensagem na Televisão é tida como verdadeira, mesmo quando seu objetivo primeiro é a arrecadação de dinheiro para sustentar pregadores milionários. A TV falou! É verdade. Não há interesse em examinar o conteúdo.

A recomendação de Paulo a Timóteo “prega a palavra”, II Tm 4.2,5, não serve mais como imperativo ao Pastor. Há razão na profecia do apóstolo: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas tendo comichões nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências”. II Tm 4.3 Esse tempo chegou para gáudio do inimigo. Milhares de membros da Igreja sofrem de otite crônica.

Hoje há necessidade de se reafirmar a vocação pastoral. As nuanças sociais atingiram a todos, inclusive o Pastor. Alguns poucos, decepcionados com o resultado das lides ministeriais abandonam o ministério, com a desculpa que a Igreja não corresponde. Outros têm chegado ao suicídio. Não suportam a carga ao tentar levar o povo ao encontro mais profundo com Deus e suas verdades. Foi assim no passado quando Moisés tentou levar o povo ao encontro de Deus. O objetivo era fazê-lo ouvir a voz do Senhor. O povo recuou e deixou Moisés sozinho no monte, Ex 19.17 e 20.18. A recusa em ouvir a palavra diretamente dos lábios divinos trouxe tristes consequências ao povo e desilusão a Moisés.

Entre ouvir o que Deus diz e o que o homem fala, persiste preferência pela mensagem de autoajuda comunicada por um homem, às vezes, sem experiência com Cristo.

Tais verdades coloca o Pastor numa condição triste, isto é: pastorear ovelhas que não querem ser pastoreadas. Is 30.1, 15.

“Apascenta as minhas ovelhas”, disse Jesus a Pedro. Na velhice Pedro conclui que o rebanho há que ser apascentado com profundo amor. As ovelhas não pertencem ao Pastor, mas ao Sumo Pastor. I Pe 5.1-4. Isto gera no coração do Pastor consolo e redobrada preocupação.

Obedecer ao chamado do Pastor divino. Zelar para que lobos cruéis não ataquem o rebanho. Desejar que o Sumo Pastor retorne logo e passe a cuidar de suas ovelhas. Ser grato por ter sido escolhido para servir ao dono do rebanho. I Tm 1.12.

Todo Pastor executa seu ministério sonhando com ovelhas sadias, fiéis a Cristo e produtivas. O Sonho continua. A vocação não o permite desistir.

Pastor Julio O. Sanches

 

 

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