Pastoral

Eu Celebro o Natal

18 Capa DezembroSim, eu celebro o Natal. Monto árvore de Natal e fico ouvindo aquelas músicas do tipo “Noite Feliz”. Participo de amigo-secreto e amo reunir a família para festejar o Natal. Que me perdoem os cristãos que pensam o contrário. E, com todo o respeito aos ‘antinatal’ (aqueles que criticam qualquer enfeite natalino, em especial árvores e roupas vermelhas), eu não apenas celebro, mas incentivo todos a celebrarem também. Ah, também dou presentes e, certamente, participo da tão combatida ênfase comercial do Natal. Só não me visto de Papai Noel.

Muitos amigos e irmãos em Cristo ficam um pouco confusos com as mensagens que leem oriundas do movimento dos ‘antinatal’. São mensagens que dizem que Natal é paganismo e que celebrar o Natal é idolatria. Deixe-me esclarecer algumas coisas.

Sobre o paganismo, dizem que o Natal é uma nova versão da festa pagã do culto ao Sol. Tal conclusão é precipitada e, até certo ponto, equivocada. Tendo que escolher uma data para representar o nascimento de Jesus, optaram por essa, não porque é a mesma do culto ao Sol, mas sim porque consideravam que Jesus Cristo é o Sol da justiça (Malaquias 4.2).

Outra alegação é contra a árvore de Natal: consideram-na resquício do culto pagão às árvores. Esquecem que a Bíblia tem início e conclusão com a presença de uma árvore (Gênesis 2.9 e Apocalipse 22.14) e que os cristãos do passado, entre eles Lutero e os demais reformadores protestantes, viram nesse símbolo a ideia bíblica dos ‘frutos’ que são trazidos ao Senhor.

Ainda alegam que as cores e canções natalinas envolvem idolatria, pois estão relacionados ao ‘Santa Claus’, que é uma representação de São Nicolau. Se seguirmos essa argumentação, então é melhor não usar nada de cor azul, pois é a cor de Iemanjá e também banir vários hinos que temos no Cantor Cristão, por exemplo, cujas melodias são de músicas folclóricas americanas e europeias. Aqui, cabe a orientação do apóstolo Paulo aos Colossenses, quando diz: Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem” (Colossenses 2.20-22 - ARA).

Sempre é bom lembrar que o cristianismo e a Bíblia expressam as verdades de Deus na cultura do povo, não em uma cultura angelical. Aplicamos o nome “Emanuel” a Jesus, mas o Emanuel de Isaías 7.14 é nada mais, nada menos que Ezequias, filho do rei Acaz, a quem a palavra foi dirigida, tanto que, em Isaías 8.8, Emanuel está vivo e recebe uma mensagem de Isaías. Os quatro títulos duplos que aplicamos a Jesus, em Isaías 9.6 (“Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”), eram usados na sagração do novo faraó, no Egito. O profeta os aplicou a Jesus. Ele é o Messias, mas Deus diz que Ciro é “seu ungido” (Isaías 45.1), em hebraico, messhyhu, “messias dele”. O domingo, dia do Senhor, era o dia do culto ao Sol na mitologia de alguns povos europeus. Mas foi o dia em que Cristo ressuscitou. A própria Igreja nascente adaptou passagens do Antigo Testamento para firmar seus conceitos.

A “virgem” de Isaías 7.14 foi aplicada a Maria em apoio ao nascimento virginal de Jesus, mas se referia à esposa de Acaz, mãe de Ezequias, e o termo hebraico, ‘almah’, significa, primeiro, “uma jovem no vigor da idade de se casar, uma donzela”. O termo foi entendido como “virgem” pelos tradutores da Bíblia hebraica para a Bíblia grega. Eles usaram ‘parténos’, “virgem”. Isto direcionou nossa leitura para este aspecto somente. Mesmo que ‘almah’ não signifique, primeiramente, “virgem” e se aplique, primeiramente, à esposa de Acaz, isto não invalida o nascimento virginal de Jesus, porque o Novo Testamento o afirma (Mateus 1.18).

Não é preciso negar ou modificar tudo porque se descobriu um aspecto que não corresponde ao que pensávamos. Isto é insensatez: jogar tudo fora por causa de uma parte. Meio entendimento é pior que nenhum entendimento. Principalmente, se produz uma espécie de ‘arrogância espiritual’, muito comum entre aqueles que, em pleno século XXI, acham que reinventaram o cristianismo e que descobriram o que toda a história do cristianismo nunca tinha percebido.

Natal não é festa pagã. Isso soa como falta de inteligência. É a comemoração do nascimento de Jesus. Se a data não foi 25 de dezembro, qual é o problema? A Páscoa, quando se comemora a morte de Cristo, cada ano, cai em um dia. Mas não invalida a morte vicária de Cristo. E está ligada a uma das festas que passaram, à luz de Colossenses 2.16-17. O legalismo de alguns, em nome de seriedade, doutrina ou mesmo verdade, é atitude negativa.

Pergunte a um cristão sincero ‒ não desses cheios de empáfia que descobriram que todo mundo fez tudo errado até hoje ‒ o que ele comemora no dia 25 de dezembro. Ele dirá: “O nascimento de Jesus”. Na falta de data específica, ficou-se com esta. Qualquer outra suscitaria uma crítica de alguém. Que critiquem.

O erro não é comemorar o nascimento de Jesus. O erro é trocá-lo por Papai Noel, é olhar o aspecto apenas humano e sentimental da ocasião e esquecer o aspecto espiritual. Por isso, comemoro o Natal.  Louvo a Deus por nos ter dado seu Filho, Jesus Cristo, nosso Salvador. E ignoro as interpretações cada vez mais interessantes (para não falar esdrúxulas) que aparecem por aí. Natal é para lembrarmos que Deus se fez homem e habitou entre nós. E que essa lembrança seja coroada de toda glorificação e honra que Ele merece.

Pr. Isaltino C. Filho

 

 

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to Twitter

Templo I - Rua Monteiro Soares Filho, 652
Vila Zelina

Templo II - Rua Marechal Malet, 611
Parque Vila Prudente

Horário de atendimento: segunda a sexta das 8h às 17h
contato: (11) 2347-9141